ESTUDO DA BIOLOGIA,  ECOLOGIA  E CONSERVAÇÃO DAS TARTARUGAS MARINHAS DA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL CANANÉIA-IGUAPE-PERUÍBE, MOSAICO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO JURÉIA-ITATINS E  ESTAÇÃO ECOLÓGICA TUPINIQUINS

 

Lopes, E.Q.1; Melo, L.F.2; Bruno, C.E.M.2; Amorim, A.F.3

 

1 – Instituto de Biologia Marinha e Meio Ambiente – IBIMM

2 – Departamento de Anatomia. Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo – FMVZ-USP

3 – Instituto de Pesca/Santos/APTA/SAA/SP

 

*espécies consideradas criticamente em perigo de extinção em lista oficial.

 

Palavras-chaves: tartarugas marinhas, fibropapilomatose conservação, Peruíbe, ICmbio

 

O Projeto SOS Tartarugas Marinhas tem como objetivo principal, estudar aspectos biológicos e ecológicos das tartarugas marinhas nas áreas das Unidades de Conservação Canéia-Iguape-Peruibe, Mosaico de Unidades de Conservação Jureia-Itatins e Estação Ecológica Tupiniquins no Município de Peruíbe e utilizar os dados obtidos para fins científicos, socioeducativos e conservacionistas. Nas praias que integram as Unidades de Conservação que fazem parte do Município de Peruíbe, área de estudo do presente projeto, diversos dos fatores relacionados anteriormente como ameaças às tartarugas marinhas estão presentes. Relatos verbais por moradores locais de encalhes de animais, apresentando tumores (fibropapilomatose) são frequentes. Inclusive, a equipe do IBIMM registrou, em maio deste ano, um indivíduo da espécie Chelonia mydas encalhado morto, com presença de diversos tumores. As tartarugas apareceram no planeta a mais de 200 milhões de anos e pertencem à linhagem mais antiga de répteis vivos (LUTZ; MUSIK, 1997). Distribuem-se amplamente entre as bacias oceânicas, com maior parte das concentrações de ocorrências reprodutivas nas regiões tropicais e subtropicais (PRITCHARD, 1997). No Brasil, são registradas ocorrências de 5 das 7 espécies existentes, sendo elas: Caretta caretta (tartaruga cabeçuda), Chelonia mydas (tartaruga verde), Eretmochelys imbricata(tartaruga de pente), Dermochelys coriacea (Tartaruga de couro) e Lepidochelys olivacea (Tartaruga oliva) (MARCOVALDI; DOS SANTOS, 2011). A espécie C.mydas é a que apresenta maior número de ocorrências na região costeira Brasileira, incluindo encalhes, avistagens e capturas incidentais (Banco de Dados do TAMAR/SITAMAR). criticamente em perigo.O Brasil é signatário da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora Selvagem (sigla CITES em inglês). Todas as espécies que ocorrem no país também são relacionadas na lista da CITES (CITES, 2015). Diversas são as ameaças às tartarugas-marinhas, sendo a interferência humana a causa do colapso das populações desses animais. Fatores como o desenvolvimento costeiro, atividade pesqueira, predação, alterações climáticas, utilização da carne dos animais e/ou carapaças, poluição e enfermidades causam impactos negativos nas populações de tartarugas marinhas (MARCOVALDI; DOS SANTOS, 2011).

Além dos fatores já citados, as tartarugas podem ser afetadas por uma variedade de problemas de saúde. Dentre eles, destaca-se a fibropapilomatose, constatada especialmente na espécie Chelonia mydas, mas que é considerada uma crescente ameaça à saúde das populações de tartarugas marinhas em geral (DOS SANTOS et al., 2010; MARCOVALDI; DOS SANTOS, 2011).A fibropapilomatose é uma condição debilitante que afeta as tartarugas marinhas e pode prejudicar o forrageamento desses animais e a função orgânica. É caracterizada pelo desenvolvimento de tumores nos olhos, cavidade oral, tegumento, carapaça, plastro ou órgãos internos (DOS SANTOS et al., 2010).Até a presente data, em 08 meses de estudo e após percorrer, (183,50 KM) de praias, o projeto coletou (42 espécimes) de tartarugas marinhas encalhadas e mortas, sendo (30)trinta da espécie Chelonia mydas, 01 (um) espécie Eretmochelys imbricata,  e (11)onze sem condições de identificação devido ao alto estado de decomposição das carcaças e sem a presença de ossos que auxiliam na identificação da espécie. Após análise do conteúdo estomacal durante necropsia de doze indivíduos, ficou constatado uma grande presença de resíduos sólidos, sendo o plástico, o material em maior abundância, sugerindo que a causa da morte dos mesmos esteja relacionado à ingestão destes resíduos.

Sendo assim, o projeto se justifica, para criar ações mitigadoras, que visem à redução da interação antrópica com estes animais, que se encontram criticamente ameaçados de extinção.

PROJETO SOS TARTARUGAS MARINHAS
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